eu lembro do dia que minha mãe me levou no Shopping e tava tendo uma campanha do filme Pocahontas. Uma das atividades de mais fila era um cubículo envidraçado com um ventiladorzão no chão que esvoaçavam vários papeizinhos que a criançá lá dentro tinha que pegar da cor específica pra ganhar brindes. Fiquei endoidecido pra brincar naquilo, esperamos um tempão na fila. Daí, na minha vez, ligado o ventilador monstruoso, comecei a chorar feito louco com aquele bando de papeizinhos voando em volta de mim. Quis sair de lá imediatamente, não durou nem 10 segundos.
não mudou muita coisa.
sábado
Tudo estava muito bem até o gancho da interrogação agarrar minha goela e me impedir a entrega absoluta. Agora não posso mais abrir os meus braços e lançar-me na sorte da atividade desconhecida, já que agora as consequências devem ser calculadas, os motivos esclarecidos e suas etapas minuciosamente estruturadas.
Daí quando vem aquela sensação de felicidade desinflada nos perguntamos como isso pode estar acontecendo.
Daí quando vem aquela sensação de felicidade desinflada nos perguntamos como isso pode estar acontecendo.
quarta-feira
domingo
Quando a alegria bate à nossa porta, ah, é uma delícia. Todos os nossos sentimentos de tristeza são varridos para o sótão mais escondido! E não há quem nos convença de que aquilo é pura consequencialidade circunstancial, pois é maravilhoso demais, puro demais, pra ser interrompido por qualquer invejoso que não conseguiu alcançar a mesma felicidade.
terça-feira
E desde o início desse grito no travesseiro eu penso: chega de falar da coisa. Vamos mudar de assunto.
Mas aí eu vejo que não dá certo, tudo vira coisa camuflada, a coisa se esconde dentro da coisa. Mesma coisa de qualquer jeito. E daí minha vontade é me calar pra sempre. Mas o silêncio é coisa disfarçada de transparente: ela está ali, escutando. E então eu brinco de fugir.
Mas aí eu vejo que não dá certo, tudo vira coisa camuflada, a coisa se esconde dentro da coisa. Mesma coisa de qualquer jeito. E daí minha vontade é me calar pra sempre. Mas o silêncio é coisa disfarçada de transparente: ela está ali, escutando. E então eu brinco de fugir.
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